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15 Jul 2008 - 17:23:08

O Oceano (Byron)


Rola, Oceano profundo e azul sombrio, rola!



Caminham dez mil frotas sobre ti, em vão;



de ruínas o homem marca a terra, mas se evola



na praia o seu domínio. Na úmida extensão



só tu causas naufrágios; não, da destruição



feita pelo homem sombra alguma se mantém,



exceto se, gota de chuva, ele também



se afunda a borbulhar com seu gemido,



sem féretro, sem túmulo, desconhecido.



 



Do passo do há traços em teus caminhos,



nem são presa teus campos. Ergues-te e o sacodes



de ti; desprezas os poderes tão mesquinhos



que usa para assolar a terra, já que podes



de teu seio atirá-lo aos céus; assim o lanças



tremendo uivando em teus borrifos escarninhos



rumo a seus deuses - nos quais firma as esperanças



de achar um portou angra próxima, talvez -



e o devolves á terra: - jaza aí, de vez.



 



Os armamentos que fulminam as muralhas



das cidades de pedra - e tremem as nações



ante eles, como os reis em suas capitais - ,



os leviatãs de roble, cujas proporções



levam o seu criador de barro a se apontar



como Senhor do Oceano e árbitro das batalhas,



fundem-se todos nessas ondas tão fatais



para a orgulhosa Armada ou para Trafalgar.



 



Tuas bordas são reinos, mas o tempo os traga:



Grécia, Roma, Catargo, Assíria, onde é que estão?



Quando outrora eram livres tu as devastavas,



e tiranos copiaram-te, a partir de então;



manda o estrangeiro em praias rudes ou escravas;



reinos secaram-se em desertos, nesse espaço,



mas tu não mudas, salvo no florear da vaga;



em tua fronte azul o tempo não põe traço;



como és agora, viu-te a aurora da criação.



 



Tu, espelho glorioso, onde no temporal



reflete sua imagem Deus onipotente;



calmo ou convulso, quando há brisa ou vendaval,



quer a gelar o pólo, quer em cima ardente



a ondear sombrio, - tu és sublime e sem final,



cópia da eternidade, trono do Invisível;



os monstros dos abismos nascem do teu lodo;



insondável, sozinho avanças, és terrível.



 



Amei-te, Oceano! Em meus folguedos juvenis



ir levado em teu peito, como tua espuma,



era um prazer; desde meus tempos infantis



divertir-me com as ondas dava-me alegria;



quando, porém, ao refrescar-se o mar, alguma



de tuas vagas de causar pavor se erguia,



sendo eu teu filho esse pavor me seduzia



e era agradável: nessas ondas eu confiava



e, como agora, a tua juba eu alisava.


Admin · 21 vistos · 1 comentário

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Comentários

Comentário de: vinicius [ Visitante ]
ai
ta de parabens o seu blog
muito lindo
assim como a dona
Beijos minha gatinha
te adoro
   16/07/2008 @ 22:46:43

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